segunda-feira, 5 de maio de 2014

Oco

















Ignorância traz a felicidade.
Oxalá eu dessa forma não soubesse
E as palavras que já nada me dizem,
Pudessem expropriar o meu coração.


Outrora generosamente preenchido,
Restou apenas a poeira envolta em cinzas
De grandes batalhas por causas perdidas.
E...vazio, restou este rascunho humano.


Sem ar nem dor, este vácuo sem cor.
Um olhar vítreo, petrificado...
Este nada que em pé se ergue, farto
Da vida que vai desenfadando.

sábado, 12 de abril de 2014

Ferida


















Cedo desperto em mim
Cansaço por me ver.
Não muda a vontade
De te ter aqui...aqui em mim.


Gasto...talvez por gostar.
Gasto o que tiver de mim.
Eu caio sem me levantar
Deixa-te ficar, por aqui.


Vou até onde nos dói
Não resigno a essa dor.
Que não mata mas mói
Serve pra dar valor.


Leva-me para onde eu couber.



quinta-feira, 27 de março de 2014

Encardido














Não é mais do que puro orvalho maduro que me percorre o rosto
Libertando a insaciável saudade em cada gota ténebre
Sou um lacaio do espaço que julgo não ser meu
Uma vitima do tempo que só passou uma vez.


A gravidade torna o momento cada vez mais pesado
Que não me deixe sair a alma desta terra inerte.
A audaz matéria corrompeu a frágil mente
Apoderou-se a vergonha que levou o restante conteúdo.

quinta-feira, 20 de março de 2014

Vaga

















Entre vagas...
Entre vidas que não voltam
Não vagam na vida.
Voltam e vagueiam pelas vivências
Perco-me entre vagas vencidas
Vindas da vontade que volta...
Na volta vaga da vida.

terça-feira, 4 de março de 2014

Esquisso-me



É noite demais para mim.
Torno-me circunscrito às minhas imperfeições
Nunca ninguém é quem queria ser
Sangro com a dor de ser quem sou.

Quando for velho, se algum dia o for...
Queria dissecar e olhar para trás
Observar se a ferida teimosamente sangra,
Se terá estancado ou a terei guardado para mim.

Por agora, o vento leva-me estas palavras,
Letra a letra, da sílaba que já não me soa.
Apenas notícias do fundo...
Defunto onde jaz esse sentimento.

O passado é aquilo que nós quisermos contar.
O futuro...seremos o que quisermos escrever.

sábado, 19 de outubro de 2013

Sorte...exactamente essa!


Não temos que ter sorte em tudo nesta vida.

Se pudesse escolher, escolheria a opção que me proporcionasse o sorriso.
Esse mesmo que é um Síndrome de Longevidade e em que me faz encarar as outras vertentes mais difíceis de uma forma mais expansiva e alegre.

Por outro lado, torna-se difícil colocar-nos a jeito da sorte, sobretudo para um desastrado inato.
A selecção natural dá-me para ser um criativo desregulado mas um audaz na minha busca incansável.
Penso que sou perdoado pela minha humildade quando posso afirmar que tive sorte...e foi fácil encontrá-la, esteve sempre ali, bem perto...só vê quem quer e daltonismos aparte, eu vi e com uma natural nitidez e uns timbres de cor raríssimos.

Agora resta-me compensar o grau de facilidade com que demorei a encontrei com a dificuldade em preservá-la...aí transcendo-me, é a minha oportunidade e faço com "gosto" citando o poeta ("quem corre por gosto não cansa"...nem estou a soar e já percorri milhares de quilómetros de sonhos).
Falo da pessoa que eu amo com esta facilidade porque ela é tão fácil de amar.
Lucky me.




quinta-feira, 21 de março de 2013

Essa lágrima



Oiço o meu eco neste silêncio
Entoando a dor, as memórias...
Desse tempo que já não volta.
Desvaneço...recordando...só.


Ainda não cheguei ou bati no fundo
Não consigo medir, estimar o seu limite
Nem tão pouco prever o seu impacto
Sinto-me nú e é assim que o tempo me leva...


Julgo não saber quem realmente sou
Vou-me perdendo por...e em momentos.
Impotente...sem nada, morro por dentro
Neste núcleo de interior granítico.


Lágrimas que por nada sentem
Perfazem o rio que nada resolve
Que não me leva onde quero estar
Eu sei onde e como foi que perdi o meu lugar.